“A banda desenhada angolana divide-se em duas fases: antes e depois do Luanda Cartoon”

A evolução da banda desenhada nos últimos doze anos é reconhecida pela comunidade artística, que atribui ao Luanda Cartoon o mérito de ter sido uma peça fundamental no desenvolvimento e promoção dos artistas angolanos.

Luanda Cartoon 2015

Luanda Cartoon 2015

Os jovens talentos deixaram-se influenciar pela iniciativa e de ano para ano vão-se juntando à festa da banda desenhada mais e mais jovens.

“A banda desenhada angolana é dividida em duas fases: antes do Luanda Cartoon e depois do Luanda Cartoon (risos). É esta geração do Luanda Cartoon, artistas como Tumbula, Altino, Júlio Pinto, Horácio, Nelson Paim e muitos outros, que são realmente muito novos e têm um trabalho com muita qualidade que é reconhecido nos festivais lá fora. Isso mostra que o trabalho da juventude tem contribuído bastante para o sucesso do Luanda Cartoon”, explica Lindomar de Sousa um dos impulsionadores do evento.

Depois de terem conquistado Luanda, os irmãos Sousa já trabalham na expansão do projecto não só para outros espaços da capital, mas também para as províncias. “Começamos com o Lubango Cartoon, o Nelson Paim está agora com o Benguela Cartoon e a ideia é levarmos o projecto para outras províncias e que os artistas locais agarrarem o projecto”, explica Olímpio de Sousa, sublinhando que a ampliação é o principal desafio nesta fase.

Através da organização deste evento e do trabalho que têm desenvolvido nos Estúdios Olindomar, esta dupla tem dado o seu forte contributo e incentivado outros a fazerem o mesmo. “A família de cartoonistas em Angola está a aumentar cada vez mais. A responsabilidade deste festival não é apenas nossa, é de todos os artistas que têm também que criar estúdios para dar continuidade a outros projectos”, afirma o cartoonista.

Ivana Teles faz parte do grupo de jovens artistas que se mostram ao mundo neste festival. “Este é o meu primeiro trabalho oficial como cartoonista e é sobre uma refugiada no tempo da guerra em Angola.

Ainda estou a trabalhar nele, mas espero lançá-lo no próximo ano”, afirma a jovem que inaugurou as participações femininas no festival juntamente com Luísa Francisco.

O cartoonista Carlos Alves é veterano e já viu vários talentos surgirem ao longos destes 12 anos. Também por isso continua a defender a promoção da arte como uma ferramenta no combate à delinquência.

“Desde a primeira edição até hoje houve uma grande evolução, tanto por parte daqueles que sempre estiveram presentes, como pela adesão dos jovens, nos quais esta arte parece despertar cada vez mais interesse. Isto é muito importante porque a arte ajuda a desviar os jovens das más condutas. Ao chegarem aqui, por exemplo, e verem os trabalhos de tantos jovens expostos, acabam por se sentirem motivados a aderir à nossa realidade que é a arte”, considera o cartoonista e autor do cartaz desta edição.

Este ano é especial por serem celebrados os 40 anos de Independência, tema que Carlos Alves fez questão de retratar no seu trabalho usando a banda desenhada como forma de preservar a cultura angolana.

“O cartoon também ensina, principalmente quando usamos o cartoon para passar mensagens positivas. Essas mensagens devem ser muito bem estudadas para que o impacto seja positivo, porque a divulgação daquilo que são as nossas origens e as nossa cultura deve ser cada vez mais posto em prática”, explica o artista.

A exposição está patente no Centro Cultural Português até sexta-feira com entrada livre para ver os trabalhos dos artistas nacionais, mas também dos convidados Pahé (Gabão), Paulo Monteiro (Portugal) e Jerémie Nsingui (RD Congo).

Vanessa Colaço